Sobre sair do fundo do poço

agosto 04, 2017
(fonte)

Eu sinceramente tive medo pela minha sanidade mental, e até mesmo física. A tristeza tomou conta de mim... Mas, como eu havia suspeitado, sair de casa foi mais do que necessário. No dia seguinte à última postagem aqui no blog, embora algumas coisas tivessem continuado dando errado, o que prevaleceu foi um importante sentimento de otimismo!

Primeiro porque meu cunhado, sabendo que algo não estava bem, me ligou convidando para almoçar. Além do gesto por si só já ter me enchido o peito de alegria, ele fez uma comida deliciosa - e que há dias eu não comia - e uma comida cheia de histórias pra contar. Teve feijão com azeite de dendê e licor de jabuticaba com jabuticabas do seu próprio quintal e cachaça artenasal. Por essa eu não esperava!

Encontrar as minhas primas também foi essencial. Minhas primas são a minha família, são as minhas melhores amigas. Por eu ser a mais velha delas, tenho um sentimento maternal de quem quer cuidar e zelar por elas, e elas nutrem um sentimento de carinho e admiração por mim. É uma coisa muito bacana e gostosa de sentir. Fazia muito tempo que a gente não se via. A última vez foi no enterro do nosso avô, no começo do ano, mas, como havia sido uma fatalidade, ninguém se aproveitou, cada uma ficou no seu canto, sentindo a sua dor. Claro.

Nós nos encontramos em um bar que costumávamos ir quando éramos mais novas. Um bar frequentado por clubes de motociclistas, e que sempre tinha bandas de rock tocando ao vivo. A intenção era apenas comer uma batata frite e depois seguir para um restaurante ali perto, mas fomos surpreendidas pela noticia que teria estrogonofe na faixa para os clientes do bar. A gente até pensou que fosse zueira, mas ficamos lá pra ver com os próprios olhos, e, sim, serviram - e muito bem servido - estrogonofe, arroz e batata palha! 

Até hoje não to acreditando nesse presente vindo dos céus!

Para continuar a minha cura, se é que posso assim dizer, no dia seguinte resolvi fazer uma consulta espiritual no centro espírita que meus pais frequentam. E sabe quando eu disse que tudo o que eu queria era que alguém viesse e me falasse tim tim por tim tim o que eu deveria fazer? Pois é. Tudo foi dito. Não sei explicar, apenas sentir e meditar sobre cada uma das palavras que me foram ditas. Gratidão ao Universo pelo merecimento de ouvir tais palavras! Que eu tenha sabedoria e coragem para colocá-las em prática!

Passar alguns dias com os meus pais e irmão também foram cruciais. Embora eu já tenha tido muitos conflitos com eles, eles me trazem paz. Me trazem o desejo de buscar ser melhor, ser feliz e fazer o bem. Então quando fui, finalmente, encontrar o meu namorado eu estava disposta a não mexer mais naquele assunto, seguir em frente e aceitar com resignação que ninguém muda só porque a gente quer.

De primeira, não foi fácil. Quis lembrá-lo o tempo todo o quanto essa história tinha me feito mal, mas aos pouco fui percebendo que isso não ia fazer diferença, e que, no fundo, se quiséssemos continuar juntos, apenas teríamos que aceitar que somos diferentes, e nos respeitar acima de tudo. Graças ao sábio Universo, o amor e a humildade venceram essa terrível batalha.

Virão outras, nós sabemos.

Mas de toda essa história eu saio com muitas aprendizagens: além dessas que eu já falei, sobre aceitar que todas as pessoas são diferentes, me lembrei o quão é importante me amar, ser feliz sozinha, fazer coisas que eu gosto, pensar em mim, cuidar do meu corpo, da minha saúde. Lógico, não falo de um egocentrismo cego, falo de estar bem consigo mesma para depois estar bem com o outro. Falo sobre se aceitar para depois aceitar o outro. De se gostar, antes de gostar do outro. Se não esse outro vira o seu mundo, e a gente não pode permitir que a nossa felicidade dependa de ninguém.

Né não?


2 comentários:

  1. Oi, Natália! Amei saber que seu blog é pura terapia!
    E sua saída pareceu maravilhosa! É muito bom sair de casa quando as coisas não estão bem, parece que ficamos com ar novo no pulmão e mais energia para enfrentar o que for.
    Fique perto de sua família e de quem te quer bem <3 e está certa em pensar que não pode depender de outros para ser feliz!

    Com amor,
    <3 bruna-morgan.blogspot.com <3

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  2. Oi, Natália.

    Por falar em poço, uma dica, caso você não conheça: procure sobre o Poço iniciático da Quinta da Regaleira (em Sintra, Portugal).
    Tem muita história e misticismo.

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