Sobre ter feito um curso de automaquiagem

agosto 10, 2017
Veja bem, eu, no auge dos meus 28 anos nunca fui daquele tipo de mulher vaidosa.

Uma coisa que eu sempre gostei de fazer foi pintar as unhas. Desde adolescente, ainda novinha, pintar as unhas era terapêutico: eu sentava na frente da tv, assistindo qualquer coisa só para me sentir na companhia de alguém, e pintava as unhas - geralmente de vermelho ou preto. Na verdade, era alterado: tirava o preto, passava o vermelho... tirava o vermelho, passada o preto. 

Quando eu estava para fazer 18 anos (uau, há 10 anos atrás!) eu decidi começar a pintar os cabelos de vermelho. Eu sempre pintava um tom de vermelho bem vivo, mas gostava mesmo da cor que ele ficava depois de desbotado - um laranjinha "água de salsicha" (o tom mais lindo de vermelho! ♥). 

Também sempre gostei de passar lápis e rímel no olho. Quando eu era mais nova, eu carregava muito o olho, gostava que ficasse bem dark mesmo - não importava se era festa ou se eu estava indo para a aula, se era noite ou dia... Fazia parte do meu estilo meio rock'n'roll o olho super carregado. Quando as manchas do vitiligo começaram a aparecer no rosto, eu fui deixando de usar essa maquiagem porque o olho preto carregado ficava muito contrastante com as manchas brancas. Foi estranho me re acostumar com o rosto limpo depois de tantos anos!

Fora essas três coisas, nunca gostei muito de nada que valorizasse a "beleza exterior" - até porque eu sou da geração de meninas que ou você ouvia Britney Spears ou ouvia Pink, ou seja, você não podia ser patricinha e arrumadinha e cheia de ideias próprias e atitudes ao mesmo tempo, você tinha que escolher um lado. E claro, eu preferi ter ideias e atitudes. E é até por isso que me entristeci ao ver tantos blogs pessoais que eu acompanhava virando blogs sobre cosméticos e feminices. Preconceito meu, também - mas isso é assunto pra outro post.

Logicamente que o mundo, embora muitas vezes pareça, não é tão positivista assim: não precisa ser tão dualístico, não precisa necessariamente ser dividido entre o lado bom e o lado ruim. Mas o hábito de pensar dessa forma me acompanhou por muitos e muitos anos. Até que na última semana - aquela semana tenebrosa - me fez pensar que seria completamente aceitável que eu buscasse fazer algo para me sentir bem comigo mesma, mas que fosse diferente de tudo o que eu já tinha feito, exatamente para mudar os ares, mudar a perspectiva. E foi nessa que fui parar em um curso de auto-maquiagem.

O resultado da maquiagem pode até não ter sido tecnicamente admirável, mas me olhar no espelho e ver uma pessoa diferente, sem óculos, sem as manchas do vitiligo, com batom roxo (!), bonita, arrumada e feliz, foi uma experiência muito interessante. Ao não me reconhecer, me questionei porque eu também não posso me sentir bonita no meio do caos que é a minha vida. Mas ao mesmo tempo me lembrei que a felicidade é algo muito fácil, muito simples, e é uma completa perda de tempo ficar chamuscando, alimentando aquilo que te faz mal.

Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir.

Acho que o segredo é esse: sair da zona de conforto para se conhecer, para entender quem é você e o quanto de você foi moldado pelo o que as pessoas querem ou esperam de você. Logo eu que nunca dei bola para o que os outros pensassem de mim, me percebi completamente presa com medo do que os outros vão pensar. Besteira. Não sei ao certo o que me faz feliz. Mas estou inteiramente disposta a descobrir!

e fui feliz :)

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