Sobre o retorno de Saturno

by - abril 02, 2018

Tem sido difícil.

E eu poderia simplesmente dizer que estou passando pelo retorno de Saturno. Isso, por si só, já seria uma explicação bastante convincente. Se eu falasse então que eu tenho Saturno em Capricórnio na casa 6, tenho certeza que vocês entenderiam exatamente pelo o que eu estou passando.

Mas não é só Saturno, seu retorno, ou até mesmo a casa 6.

Sou eu.

Eu sou o próprio caos.

Cheguei em um estado de desorganização pessoal tão grande que eu não sei por onde começar. Eu não consigo ficar sozinha e pensar em tudo o que eu tenho que fazer porque eu gasto toda a minha energia pensando em como resolver o problema dos outros. Logo eu, que geralmente não me importo com os outros! Talvez seja porque o problema dessas pessoas me causam problemas, e na sequência lógica que é traçada dentro da minha cabeça, a pessoa precisa resolver o problema dela, logo, se ela não resolve e isso me causa problemas, eu tenho que ir lá e resolver, pra poder resolver o meu problema.

É tão insano isso que eu só posso culpar os astros por estarem onde estão e terem estado onde estiveram enquanto eu nascia. Porque fora disso, não existe qualquer explicação racional pelo o que eu estou passando.

Tanto é que minha cabeça estava a mil por hora, e tive que me levantar da cama, no meio da noite, para tentar concretizar os pensamentos que não me deixavam dormir. E agora que estou aqui, podendo viabilizar essa concretude, só saem de mim ideias completamente desreguladas.

Isso me fez lembrar Clarisse Lispector, que aliás, gosto muito. Quando escrevo assim sem qualquer sentido, fico imaginando se Clarisse também não se sentia assim. Tenho a impressão de que ela ia escrevendo aquilo que transbordava seu coração, dando nomes diferentes, ou até criando metáforas pra explicar as angustias e dúvidas que ela sentida, e quando percebia.... opa, já tem 100 páginas isso aqui, vou publicar! Penso nisso e fico inspirada, porque, afinal, se minha teoria sobre Clarisse estiver correta, pode ser que algum dia eu transborde tanto que eu acabe gerando um livro.

Não que fosse um desejo íntimo, ou até mesmo um ambição.

Até porque escrever livros me lembra do meu trabalho, casa 6, na qual estou tentando evitar pensar, por mais que eu tenha a impressão de que foi lá onde tudo começou - ou onde tudo culminou - ou as duas coisas.

E nesse ser ou não ser, me veio na cabeça agora Gabriel, O Pensador, que disse em uma música que eu gosto muito (a primeira que fui gostar dele) "muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente. a gente muda o mundo na mudança da mente. e quando a gente muda a gente anda pra frente. e quando a gente manda ninguém manda na gente".

Esta tudo tão mudado.

Mas tão!

Que não tive tempo e chance de entender o que esta acontecendo.

Só sei que não quero voltar. Mas que bagunça da porra que tá isso aqui!

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