Sobre coisas que eu amo em mim

by - fevereiro 15, 2018

O grupo Blogueiras Empoderadas lançou a postagem coletiva do mês de fevereiro: as coisas que eu mais amo em mim. Foi engraçado porque quando eu vi o tema, minha primeira reação foi achar sensacional. Mas a segunda foi um pouco menos otimista: para escrever, eu iria precisar encontrar coisas que eu amo eu mim. Só que antes de compartilhar essas tais coisas, compartilho algumas reflexões que esse tema me causou (assistam, porque faz parte da minha linha de raciocínio, e, bem, nunca tinha feito nenhum vídeo pra nenhum blog meu!)





Como eu disse, esse tema se tornou um exercício, um desafio para eu reencontrar dentro de mim, aquela Natália de 15, 18 anos, que era tão segura e orgulhosa de si. Hoje eu já não tenho aquela confiança da adolescência, mas a Natália adolescente sempre me inspira.

A primeira coisa que me veio na cabeça é: eu amo os meus olhos. Eles são castanhos, pequenos, meus cílios não são muito grandes, e minha sobrancelha é bastante harmônica com o meu rosto. Eu amo minha sobrancelha. Não faço nada nela, não tiro, não tinjo, mas ela tem uma capacidade incrível de ser camaleão: quando estou com os cabelos loiros, elas parecem loiras; quando estou de cabelos pretos, elas ficam mais escuras; e quando arrisco no vermelho, da mesma forma ela se adapta! Isso sempre me surpreende! 

Gosto de usar maquiagem nos olhos, mas nada muito carregado, porque envolta dele existe uma moldura triste, embora já faça parte de mim: o vitiligo. Eu não gosto de passar maquiagem no rosto, apenas nos olhos, então fica lá exposto o contorno branco, daí prefiro evitar o contraste.

Mas meus olhos têm algo interessante para contar: eles não vão mentir para você. Para mim sim, muitas vezes, mas não para você. Meus olhos não desviam o olhar quando eu estou desconfortável, com medo, insegura, brava. Eles olham com coragem para aquilo ou aquele que me provoca, ele me protege. Me protege porque independente do eu estiver sentindo, sempre é necessário alguma reação. E meus olhos reagem te dizendo se estou brigando, ou se estou em paz, mesmo se eu não conseguir dizer nada.

E é por isso também eu amo a minha capacidade de resolver qualquer coisa. Eu tenho uma facilidade para enxergar caminhos, possibilidades e formas de fazer as coisas que é muito diferente das pessoas - pelo menos das que convivem e trabalham comigo. Isso sempre me faz pensar muito, mas é um pensamento em rede: quando eu penso em algo, já penso nas possibilidades e nos caminhos. Por isso, quando algo dá errado, por mais sofrido ou difícil que possa ser, eu consigo encontrar serenidade para contornar, resolver, substituir. Essa capacidade, em tempos onde as pessoas não querem resolver problemas (querem simplesmente as opções mais fáceis), me trás uma segurança de que não importa o que acontecer na minha vida, eu sei que eu vou dar um jeito e encontrar um jeito de ser feliz.

E sobre felicidade, eu amo o maior desejo que eu tenho na vida: ser feliz! É lógico que eu desejo ter sucesso na minha carreira profissional, construir uma família, ter coisas e viajar de vez em quando, mas nada se compara com o desejo que eu tenho de ser feliz. O que é felicidade? Não importa, é isso que eu quero. Seja com dinheiro, seja sem, casada, solteira, com filhos ou com gatos, eu quero ser feliz com o que tenho agora e quero que todas as minhas escolhas sejam feitas para que eu possa viver bem e feliz.

O agora, claro, tão volátil. E é por isso que nessa lista não apareceram outras partes do corpo, porque o meu corpo de agora poderá não ser o mesmo daqui a um ano, e eu preciso continuar amando-no. Porque ele é a minha casa! As vezes ele me envergonha, como se uma pessoa muito rica viesse almoçar em minha casa; as vezes ela me enobrece, como se eu convidasse alguém em situação de rua. Meu corpo volátil, que já mudou tanto... Se sou capaz de viver, sou capaz de amá-lo.

Da mesma forma, não poderia pontuar demais traços da minha personalidade porque eles são igualmente transitórios. Mas amo minha capacidade de auto-percepção, que ao mesmo tempo em que me joga pra cima, me puxa pra baixo. Se eu não sou capaz de amar quem eu sou, não sou capaz de ser quem eu sou.

Se eu pudesse resumir tudo então, volto para os olhos: o olhar. Os olhos físicos, os olhos que enxergam os caminhos, os olhos que buscam felicidade. 

Essa sou eu, quem eu sou agora e por mais que eu não tenha o hábito de falar essas coisas para mim mesma, eu me amo, e amo cada pedacinho que faz de mim a pessoa que eu sou.





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3 comentários

  1. Eu amei <3 Como é incrível perceber que apesar de tão diferentes estamos lutando a mesma luta, tentando se aceitar, conseguindo se aceitar e tentando fazer as pessoas entenderem que elas também podem e devem se empoderar, se amar, independente da nossa forma física, cor dos olhos, cor da pele, do cabelo e etc. Quando as pessoas perceberem que estão perdendo de se amar para seguir um padrão estético, vai ser libertador e maravilhoso. VAMOS NOS EMPODERAR!

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  2. Olá Natália. O seu texto revela uma capacidade de auto-análise que não é muito comum. É importante saber que somos maravilhosas(os) em algumas coisas; a sua participação nessa blogagem coletiva ficou linda.
    Sabe, os meus olhos também são demasiado "transparentes", às vezes gostaria de conseguir mascarar melhor as minhas emoções.
    Abraço desde Portugal
    Ruthia d'O Berço do Mundo

    P.S. Muito obrigada pela sua amável visita e comentário lá na minha casa virtual

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  3. Eu fiquei muito feliz ao ver que você participou e mais feliz ainda ao ver sua dedicação com o tema! O que eu achei mais legal foi você dizer que ama o seu corpo, independentemente de como ele for e das mudanças que ele passar!

    Obrigada por todo esse carinho e por participar da blogagem!
    Cheiro de Pipoca

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